sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Dois

Quanto mais sinto raiva mais o vazio que me consome cresce acima de mim. Minhas veias saltam, meu sangue é bombeado com mais velocidade, todo meu corpo deixa de seguir regras cotidianas e se entregam ao sentimento não-sentimento. Me perco em minhas dualidades, e minhas dualidades se perdem nelas mesmas. É difícil se mostrar como ser único, colocar em fragilidade seus pontos fracos e demonstrar afeto ao outro quando nada disso é recíproco. A raiva acelera a dualidade, ambos seres dentro de mim brigam entre si sobre o controle, espero não me sentir único enquanto sempre estiver duplo. O que me contempla é o vazio, novamente acima de mim, tão grande quanto minha dualidade.

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